O que aprendi em 3 meses de academia

foto: instagram, extraordinaire @adele

Por Carol Salles

…e então a reumatologista fala que meus músculos são muito flácidos e isso pode significar problemas para sustentar os ossos no futuro. ‘É bom você exercitá-los’, diz. Pergunto, quase rindo: ‘Doutora, você não está falando para eu puxar ferro numa academia, né?’. Afinal, ela não sabe que eu sou a ioga-natureba-meditação-lover, e que uma academia simplesmente não combina comigo? Não, ela não sabe. E responde, séria: ‘Por que não?’

Foi assim que, de repente, me vi matriculada numa academia  — aquele lugar que reúne pessoas que não têm nada a ver comigo, fazendo algo que eu jamais faria, por motivos que eu nunca poderia compreender. Para minha supresa, comecei a gostar. E, percebi que, se ultrapassasse meu próprio preconceito, poderia conseguir benefícios únicos, que iam muito além de emagrecer por motivos estéticos (não emagreci) e conseguir um corpo “sarado” (não consegui).

Hoje, completo 3 meses da nova rotina (academia todas às segundas, quartas e sextas, por volta das 10 da manhã). E, embora longe de ser uma aluna exemplar — não consegui ultrapassar os 25 quilos no abdominal, já faltei por preguiça, ‘pulei’ aparelhos chatos e furei a fila num revezamento, sem perceber —, eu aprendi algumas coisinhas. Divido-as com vocês abaixo, na esperança de que eles possam inspirar menos ódio e mais amor por esse lugar chamado academia.

 
  1. A sua força interna pode ser proporcional à dos seus músculos.
    Sempre achei que “puxar ferro” servisse simplesmente para deixar os músculos firmes. E uma das primeiras lições que tive é que não é só isso. Perceber-se fisicamente forte, e construir essa força passo a passo, é, também, fortalecer a auto-estima, a mente e o espírito. Eu saio da academia assim: pronta para as várias lutas do dia, seja fazer uma faxina ou escrever um texto.
  2. A esteira é um bom lugar para se pensar na vida.
    Ficar 20, 30, 40 minutos caminhando ou correndo na esteira, olhando para o nada, é chato. Mas, como cardio é preciso, eu resolvi fazer desse um momento único. Aproveito para pensar (produtivamente) em algum problema, ter ideias e até meditar. Geralmente foco o olhar em algum ponto e procuro não prestar atenção no movimento ao meu redor. Para ajudar a me isolar num ambiente tão dinâmico, meu velho iPod Mini é imbatível. Quando me dou conta, o exercício já acabou e eu saio da esteira renovada.
  3. O “ambiente de academia” é excelente para rever preconceitos.
    Eu julgava ter afinidade zero com o que eu acreditava ser o “público padrão” de uma academia. Bem, essa foi uma das mais gratas surpresas que eu tive. Sim, existem os saradões e as saradonas, que sempre parecem muito “melhores” que você. Mas vamos lá, abaixe a guarda e sorria. Comente como aquele exercício é difícil. Seja simpática e acessível, e receberá simpatia de volta, pode acreditar. De repente, você vai ver que aquela saradona com roupas cavadas e cabelo loiro artificial não é assim tão diferente de você.
  4. Você não é a única que se sente um pouco perdida.
    Olhe à sua volta e verá de tudo: novatos, experientes, jovens, idosos, gordos, magros, tímidos, exibidos, fortões. Quando percebi isso, tirei dos meus ombros a carga de achar que eu era a única que estava começando, que não sabia o nome dos aparelhos, que levava a fichinha de treino debaixo do braço, que tinha o corpo fora de forma e que fazia tudo errado. Em algum momento, todo mundo já se sentiu assim.
  5. Aqueles dias em que você menos quer ir são os que você mais precisa ir.
    Já faltei por preguiça, mas também já me forcei a ir em dia de chuva e frio. E à pé, porque não dirijo. E jamais me arrependi das vezes que eu tive aquela vontadinha de faltar, mas liguei o automático e fui. Porque, nesses dias, eu sempre voltei melhor do que tinha saído.
Se nada disso serviu para convencer você, o professor Isaias Leme, da Bio Ritmo, uma rede de academias em SP, Rio e Belém (PA) dá outras dicas bacanas para gostar de academia: “A primeira sugestão é encontrar uma modalidade com a qual se tenha afinidade. Isso vai ajudar a quebrar uma primeira barreira. Ir em horários mais vazios ajuda a não se sentir intimidado ou incomodado. Criar uma “aliança” com o professor também ajuda, pois ele poderá tanto inserir o novato ao grupo ou simplesmente facilitar a chegada deste aluno, como uma melhor posição na sala, exercícios mais recomendados e dicas gerais sobre a academia.”TooltipText

2 Comments on O que aprendi em 3 meses de academia

  1. Sandra
    13 de dezembro de 2016 at 02:52 (8 meses ago)

    eu vivi algo parecido na nataçao.
    Tinha pavor de ficar perto de uma piscina,vergonha de usar maio e de criança sò chorando nas fotos perto do mar.
    Aos 37 anos comecei na hidrogimnasia,gostei,
    A professora me deu coragem para provar nataçao.
    Cada logro dentro da agua,me deixava mais forte e segura na vida.
    Eu ia caminhando 40 mnutos ate a academia,mesmo com chuva e no inverno .
    Atividade fisica é o segredo da boa vida

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    • carol
      24 de janeiro de 2017 at 13:22 (7 meses ago)

      Sandra, parabéns e obrigada pelo seu depoimento! A vida muda muito quando a gente decide se despir de medos que nem sabemos de onde vêm, né? Um beijo! Carol

      Responder

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